Uma criança precisa de verdade e acolhimento

Por: Ligia Freitas

363354

Como reagimos quando vivenciamos uma situação incômoda? Simplesmente nos desvencilhamos dela.

Porém, a mente de um bebê ou de uma criança não possui essa facilidade de sair de uma situação ruim ou de superar um sentimento desagradável.

Mais tarde, o corpo fala, em linguagem psicossomática de descontentamento.
Uma criança conversa por meios interpostos.

Faz birra para dizer que quer carinho, tem ataques de choro para dizer que está triste ou preocupada com o irmão, tem febre alta para dizer que quer atenção, tem dores no peito, para que coloquem a mão em seu coração.

Uma criança tem a mente psicótica, cheia de dúvidas e mensagens desemparelhadas, tem medo de perder aquele que a ama, tem insegurança de viver nesse mundo de lama: barulho, luz, tela, carro, trânsito, vozes, desgraças, fumaça, discussão, falta de dinheiro, descarrego, desapego, confusão.
Uma criança precisa de verdade, de olho no olho, de lealdade.

Uma criança não é boneca que se leva nos braços, sem dizer-lhe aonde vai. Faça isso contigo para ver como se sai.

Uma criança não merece ver os pais saírem às escondidas, haja dor ou sofrimento, ela merece ser compreendida.

Uma criança fala a língua dos anjos, e não entende falsidade, uma mãe às vezes grita e nisso não há maldade.

Há muito mais mistério em querer ser santidade do que em ser igual a tantas, de carne e osso, de verdade.

Uma mãe é atriz, dançarina, médica, escritora, costureira, cozinheira, professora, faxineira e tantas eiras que vier, pode ser como eu e você ou como lhe convier.

Só não pode deixar de acreditar em si mesma e no dom do acolhimento, na cura pelo beijo e não pelo lamento.
 

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras