A cidade de triste horizonte

Por: Mirto Felipim

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tenho em mim ainda suas

ruasseu cheiro, o suor das noites

sombras azuis de montanhas

enferrujando ante cortes assassinos


no seu jeito inocente de pecar

aprendi rituais imortais

faca, fumo, ferida exposta

seus dias pelas noites misturei

e vi seus segredos desnudos

vestirem meu eterno provisório.


partidas sempre momentâneas

deram-me a ilusão do retorno eterno

germânica necessidade de enganara

impossível esperança de retornar.


abriu-me chagas o tempoe as cicatrizes não se acomodam

falta-me o minério de suas mentiras

Cidade carrasca e amante

que cede enquanto usufrui

e fere quando saciada.


no retorno de tantas idas a perdi

caminhei às tontas tateando seu cheiro

perdi-me em seus cruzeiros

desafiando corrompidas bússolas

que insanas confundiram meus passos.


carrego hoje a fuligem do passado

cruzo Carijós ou Caetés

piso remanescentes Tupis

e sonho morrer pleno em Amazonas

na grande festa da Guaicurus.

hoje estou passageiro

viajo na rota das nuvens

sigo cores inconsequentes

pálidas aquarelas envelhecidas

misto de razão e pôr-do-sol

que no vale do triste horizonte

velam meus sonhos delinquentes.

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