Desertas ruas, decerto suas.

Por: Ligia Freitas

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Laura encostou os dedos nos lábios
E se ajeitou para deitar.
Lembrou-se do olhar acanhado,
Do aperto de mão suado,
E do amor que não ousava esperar.

Lembrou-se da menina meiga na janela
E dos olhos nas mãos dela.
Lembrou-se da divina maravilha de amar
E faminta pelas ruas pensou jamais voltar.

Andava em forma de valsa
E rezava em dó menor,
Passava a ver a vida num samba de uma nota só.
Era um mundo diferente
Diferente dessa gente que não consegue cantarolar.

Mas a menina apressada,
Tropeçou em suas sandálias
E não conseguia mais dançar.
Seu olhar de bailarina enamorada
Tornou-se colombina pé na estrada
Para outro amor encontrar.

Seu menino marcado,
e um amor tão suado,
Ousou em lhe deixar.


Laura joga o travesseiro
E pela rua sai em busca do forasteiro
Arrumara-se no espelho
Como quem se vê pronta para subir no altar.

Mas cadê o seu menino?
Cadê o seu vestido?
Cadê a beleza que pôs a mesa
E espera a tristeza passar?
 

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