A carta

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Foi um caso assim, como muitos, quando um estudante namora uma jovem ingênua da cidade onde estuda e outra, na sua terra natal, com o consentimento das famílias que se conhecem há tempos.
 
Leonardo conheceu a sensível Ângela quando cursava engenharia, em uma faculdade federal, bem longe de sua casa. Ela não estudava lá e sendo o campus universitário distante, não acompanhava as suas animadas noitadas nos eventos estudantis, promovidos pelo centro acadêmico. Quando se encontravam, prevaleciam as juras de amor único e eterno. Promessas, entre os ousados carinhos, ele lhe fazia com ardor e aparente sinceridade. A moça apaixonada era artesã, criava e pintava disputadas esculturas em argila que a ocupavam, nas férias e feriados, quando ele ia para sua cidade e dizia que não poderia levá-la. A outra, com precioso anel de compromisso no dedo, esperava a formatura para a realização do casamento.
 
Terminado o curso, Ângela despediu-se de Leonardo, com a certeza de que ele voltaria para buscá-la, mas ela recebeu apenas uma carta... Estranhou, era a primeira dele; com o coração apertado, isolou-se em seu quarto, procurando a janela aberta para que a luz clareasse sua leitura. O lugar iluminado tornou-se escuro, seus olhos marejaram de lágrimas, mal podia suportar-se em pé. Encostou-se à parede, com a a cabeça inclinada para baixo, a carta em seu peito. Lia e relia aquelas palavras frias, dolorosas, destruidoras de sua vida. A expressão de seu rosto era de desalento absoluto!  Aquele momento era só seu e a sua dor não tinha fim. Sentiu movimentar-se o pequeno ser que trazia no ventre. Ele não conheceria seu pai. Este não faria parte de sua infância, de seus ideais, de sua vida! Os sonhos de amor de Ângela foram desmantelados para sempre. Ela reclinou-se em uma poltrona, tentando refazer-se, respirando lentamente...
 
Naquela devastadora carta ele afirmava que não poderia assumi-la, nem a seu filho, e sugeriu que ela conversasse com a mãe. Ela não negaria apoio à filha e ajudaria a criança.
 
Após algum tempo, Leonardo voltou à Universidade para a pomposa colação de grau e o esperado baile de formatura, com seus pais e a noiva que exultava de felicidade.
 
Ângela não fora convidada para dançar a valsa dos formandos, como ele lhe prometera tantas e tantas vezes...

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