Vincent Van Gogh

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

371182

O espetacular longa-metragem Loving Vincent está entre as indicações para o Oscar 2018. Cenas filmadas com artistas reais e depois digitalizadas receberam o trabalho executado por mais de 100 pintores que as coloriram à mão, através de traços e cores que remetem aos quadros de Van Gogh. O filme é fascinante. Há muitas histórias curiosas envolvendo o nome de Van Gogh. Sua insanidade, por exemplo, aspecto que se tornou parte do motivo de seu reconhecimento e justificaria sua maneira peculiar de ver o mundo, traduzida nos seus quadros. Também, seu nome, recorrentemente citado nos livros que nomeiam artistas cuja genialidade teria sido resultado de surtos psicóticos, ocasiões em que produziram suas melhores obras. Entretanto, além de histórias pitorescas, há histórias reais e muitas outras verossímeis, a respeito dele. Por exemplo, Van Gogh era profundo admirador de Jean-François Millet, que pintou quadros como o clássico Angelus e As Respigadoras, obras que o influenciaram, citadas e reproduzidas nas cartas que ele escreve a seu irmão Theo. Sua vida está envolvida em invenções, fantasias e possibilidades. Por exemplo, se há a certeza de que cortou sua orelha e a deu de presente a uma prostituta, não se sabe se ele mesmo teria disparado o tiro que o matou. Mas é verdade que Van Gogh começou a pintar aos 27 anos, é considerado pós-impressionista e precursor da arte moderna, esteve internado em hospital psiquiátrico em Saint-Rémy-de-Provance onde pintou esse quadro, considerado sua obra prima. Aliás, durante tal internação é que surge aquele Van Gogh que desenvolve seu estilo e passa a usar fortes cores primárias, em especial o amarelo. Muitas das obras do atormentado pintor estão no museu que leva seu nome, em Amsterdã. Outras, no Museu Orly, de Paris. Porém, a mais emblemática de todas, A Noite Estrelada, encontra-se na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York. Vincent Van Gogh faleceu em julho de 1890. Em 1971, Don McLean gravou o sucesso Starry, Starry Night, cuja letra exalta o artista e sua genialidade, e ainda faz alusão ao quadro e seu significado. É justamente essa música que encerra e traz os créditos do filme, na voz de Lianne La Havas. Se o espectador não chorou durante o desenrolar da história é neste momento que certamente o fará.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras