"Era uma casa muito arrumada, não tinha gente, não tinha nada"

Por: Ligia Freitas

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Antes de você, a casa era arrumada,
Em cima da mesa um enfeite se avistava.
Antes de você, não havia resquício de gente.
As coisas permaneciam intactas na estante.


Agora tudo é diferente,
O brinquedo da sala virou enfeite.
Nas prateleiras um arvoredo,
Por ali passou gente, logo aqui tem esteio,
Por ali há sede, logo aqui tem peito.


Armários fechados,
Sapatos no calceiro,
Roupas na gaveta,
Calcinhas e cuecas no gaveteiro.
Eita vidinha, retinha, na linha.


Olha o furacão!
Sapatos e vestimentas vão para o chão,
Sentimentos guardados a sete chaves
Aparecem soltos em cima do colchão.
Outrora calmaria,
Nessas horas descontrole e valentia.


Acenda o fogo
E comece a pensar
Cada fase uma dificuldade
Cada período um se reinventar.


Porém tudo vale à pena para esse poema.
O desarrumado traz calor ao coração,
A dor cicatriza e se torna superação.


As coisas espalhadas pela casa?
Deixo para recolhê-las depois com calma,
Quando as luzes já estiverem apagadas
Quando a solidão bater forte na alma
E eu perceber que a vida sem você não tem graça

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