Algo acontece quando o sol se põe

Por: Ligia Freitas

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Eu vi um menino buscar água no poço 
O sol quente batia e derretia 
Sua cabeça em miolos 
O sol queimava seus pés descalços 
Um descaso para poucos.
 
Quanto mais ele corria 
Mais a água do balde caia 
E aliviava os seus pés de desgosto.
 
Eu vi um homem sentado na praça 
Qual a surpresa em ver o seu riso? 
Não entendi qual era a graça 
Daquele homem rindo sozinho.
 
Não sei se o riso era do homem 
Ou se o homem era do riso
Só sei que o riso foi me dando fome
Vejo um codinome para esse paraíso.
 
O riso era tão grande
Que o homem enxergava com o riso 
Seus olhos tinham um obscuro distante
Mas, ainda assim, o homem via colorido.
 
Meus pés estão descalços 
A lembrar daquele menino 
É que o sol agora bate forte
Joguem água com vontade
Quero atravessar esse chão destemido. 
 
Algo acontece quando o sol se põe
Tenho um encontro com o inimigo
Não tem água no balde 
Não tem o homem do riso
Sou eu mesmo comigo.
 
Algo acontece quando o sol se põe
Batam palmas para esse amigo
Quero esse calor que aquece o meu corpo
Sinto desabrochar em mim um sorriso.
 

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