Quaresma

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Designação do período de quarenta dias que antecedem a celebração da Ressurreição de Cristo após sua crucificação, a Quaresma para os cristãos começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, que neste 2018 caíram, respectivamente, no dia 14 de fevereiro e  no dia 25 de março.  Tais datas, importantes para o cristão, existem desde  o século IV, mas não são, ao contrário do que pensamos, datas de comemoração exclusivamente  cristãs. Tem muito de judaísmo embutido nelas. Para os cristãos, os quarenta dias que precedem a Semana Santa, são dedicados à reflexão e ao recolhimento na oração e penitência, pois os remetem aos quarenta dias passados por Jesus no deserto. 
 
Uma curiosidade,  na Bíblia, que não é exclusividade dos cristãos, o número quarenta é freqüentemente usado para representar períodos de 40 dias, ou 40 anos, que antecedem ou marcam fatos importantes: 40 dias de dilúvio, quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de Jesus no deserto antes de começar seu ministério, 40 anos de peregrinação de Israel no deserto. Outra curiosidade, cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. 
 
Por volta do ano 350, a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias e foi assim que surgiu a Quaresma, pontilhada por outras datas importantes como a Quarta-feira de Cinzas, dia que encerra a festa pagã de quatro dias após a entrada de Jesus em Jerusalém, que chamamos Carnaval; como o  Domingo de Ramos, anterior ao Domingo de Páscoa, que celebra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém; ou a importante e celebrada Quinta-feira Santa, que relembra a Última Ceia que comemorou com seus discípulos,  ocasião em que lavou-lhes pessoalmente seus pés,  tomou vinho e comeu o pão, instituindo o sacramento da Eucaristia para os católicos. Todavia, o ápice destas comemorações é a Sexta-feira Santa, quando Jesus morre na cruz, traído por Judas e abandonado por Pedro. Dia triste a sombrio para os cristãos. 
 
O Sábado de Aleluia, quando Jesus repousa na tumba, é dia de recolhimento, de silêncio. À noite começa a Vigília Pascal, quando é celebrada a passagem da escuridão para a luz, vitória de Jesus sobre a morte e no Domingo de Páscoa, dá-se a festa máxima da cristandade. Jesus ressuscita, vence a morte, justifica as profecias. É o ápice do calendário litúrgico cristão, celebrado com missa solene, onde todo o clero se veste de branco e ouro, símbolos de alegria e de luz. 
 
Cada um de nós, todos os anos,  independentemente de crenças ou religião, deveríamos ir sozinhos para um deserto virtual e lá, em total silêncio e recolhimento, fazer nossas próprias reflexões e tirar nossas conclusões sobre os valores que realmente importam em nossas vidas.
Nossas quaresmas individuais, mesmo que  de  quarenta minutos, todos os meses, seriam mais que suficientes para nos mostrar algum caminho de Luz. 
 
 
 
(Texto adaptado de outros, encontrados na Internet, sem assinatura.)   

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