Filha de gana

Por: Ligia Freitas

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Para quem ainda não sabe
Uma história hei de contar.
Por onde essas matas passaram
Uma pequena menina pôs-se a chorar.
 
O vilarejo era distante de tudo,
Era olhar embaçado
Era fim do mundo.
No caminho o automóvel parou 
E numa cigana a menina quase se transformou.
 
Ela foi entregue para se lavar,
Mas, no fim, a cigana a quis por lá.
Em troca entregou um menino,
Pensando que o imbróglio passaria despercebido.
 
Em apuros, o pai avistou a maldição.
E a sua filha, vestida de menino, agarrou pelas mãos.
Ao som do grito gemido e partido da cigana Ana.
 
A recém-nascida, sem mãe na vida,
Foi deixada pelo pai na casa da tia.
Nada nunca lhe foi dito.
O seu destino estava escrito.
 
Seu pai nunca mais regressou,
Porém filha da tia a menina se tornou.
Filha de uma mulher de gana
E não de Ana.

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