Grito da Maternidade

Por: Ligia Freitas

374705
Como num conto de fadas,
Um recém-nascido nos é entregue,
Como se fôssemos predestinadas
A viver nossa maior missão: ser mãe!
Não há receita, regra, provérbio ou religião
Que nos ensine a cuidar de um filho.
Mas há palpite, dica, orientação,
Mal olhado, sorriso fechado e peito dolorido.
 
Há fortes dores na alma, 
Dessas que o diabo entende arretado,
Dessas que só Deus acode com valentia.
Há noites passadas em claro,
Distanciamento do marido,
Encarceramento consentido.
 
Não há choro nem vela,
Para esta donzela
A sociedade a julga e a pune a todo o momento.
Se não dá leite do peito, eis o tormento.
Se a criança vai para a creche,
É porque a mãe a esquece.
Se a criança fica em casa,
É porque a mãe não vale de nada.
 
E a cabeça parece mais um pinico.
É tralha, é treco, trava daqui, trava dali,
Levanta, senta, corre, grita, chora, acalma,
Acode e respira.
 
Seja a Mãe perfeita,
Não chore, não grite, não brigue,
Não tenha sono, não tenha culpa,
Não exista.
 
E se perder a paciência vira louca,
E se perder a memória vira insana,
E se não perder o peso vira gorda.
 
Perde-se a nação, em hipocrisia.
Perdem-se mulheres maravilhosas,
Perdem-se dias e noites sem respostas.
Perde-se tanto, mas de tudo é pouco 
Perto da perda de si mesma!

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras