Os Diários da Guerra

Por: Arlete Genari

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Astrid Lindgren (1907-2002) é uma autora sueca que ficou mundialmente conhecida pela série de livros Píppi Meialonga, cuja personagem principal se tornou a heroína de muitas crianças e adolescentes das últimas décadas. Ela foi a segunda escritora a vencer o Prêmio Hans Christian Andersen, uma das maiores distinções internacionais da literatura infantojuvenil. Desde jovem, era bastante interessada em outras culturas.  Sua curiosidade sobre o mundo levou-a a viajar por diversos países. 
 
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Astrid acompanhou os fatos bem de perto. Começou a recortar artigos de jornal sobre esse conflito militar global e, despretensiosamente, começou a colá-los em cadernos, que ela denominou Os Diários da Guerra, onde também fazia anotações, à mão, do cotidiano naquele período. 
 
Ao todo, esse tesouro valioso é composto por 17 tomos, que foram “resgatados” em um cesto de roupas em sua residência em Estocolmo e publicados pela primeira vez na Suécia em 2015. Inclui também algumas fotos particulares da família Lindgren durante o período do confronto e um glossário de nomes de pessoas citadas na obra.
 
Na época da Guerra, a autora começou a trabalhar em uma seção do Serviço Secreto Sueco e sua principal tarefa era censurar as cartas que chegavam na Suécia, o que ela chamava de “sórdido trabalho". O conteúdo dessas cartas mostrava-lhe uma realidade muito mais dura e violenta do que os cidadãos podiam imaginar. 
 
Em sua primeira anotação, de 1º de setembro de 1939, manifesta a incredulidade pelo início da guerra: "Oh! Hoje a guerra foi declarada. Ninguém podia acreditar nisso”.  Ela se refere à Alemanha, que bombardeava várias cidades da Polônia. A seguir, demonstra a angústia de viver em um país formalmente neutro, mas perto de outros ocupados ou atacados pelas forças alemãs e pela antiga União Soviética: "Um terrível desânimo pesa sobre tudo e sobre todos", escreve.
 
Além da história relacionada à guerra e seus horrores, os diários também mostram evidências da vida pessoal da autora, esposa e mãe de dois filhos, uma família de classe média, mas que, como Astrid dizia, “sinto-me merecidamente rica”. Seu marido, Sture, não foi convocado para a guerra, o que lhe trouxe grande alívio, ao contrário de outros homens que foram convocados ao dever patriótico. 
 
A Madras Editora traz agora esta obra, sob o título O Mundo que Enlouqueceu: Os Diários da Guerra – 1939-1945. São 368 páginas em que o leitor poderá mergulhar nesse mundo louco que Astrid Lindgren vivenciou bem de perto. A introdução é assinada por Karyn Nyman, filha de Astrid que tinha 5 anos quando a guerra começou e é, ninguém menos, para quem sua mãe contava as histórias fantásticas na época da guerra, as quais a levaram a escrever o clássico Píppi Meialonga.

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