Fora, o real constrói o poema, imbatível

Por: Breno Carrijo

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Tentando te escrever:
mas os idiomas conhecidos não bastam e 
as declarações amorosas de poetas antigos
estão cobertas de poeira do esquecimento
para serem reaproveitadas.
 
É preciso uma nova linguagem para
contemplar a doçura que sua língua inspira:
signos cintilantes, frases cegantes de brilhos
fulgurantes como diamantes gigantes, raros cristais. 
Uma linguagem que reluza feito o delicado relicário
em que se guardam as lembranças felizes
no alçapão das memórias.
 
Para te escrever agora:
cobrir as páginas todas deste livro
com o reflexo dourado das luzes das 
megalópoles, braçadas de estrelas
pois todas as cartas de amor, 
as metáforas todas dos cancioneiros todos, 
já não valem!
 
Nessa tentativa sou tomado pelo desejo
milenar dos poetas consagrados:
preciso um lirismo que 
supere a alegria etilista 
que se banhe na inexplicabilidade 
da poética suicida.
 
Ainda que as mãos não se 
safem da palidez mundana, 
teu nome por inteiro me inflama
Meu peito em chamas, paixão
dominando os sonhos 
refazendo o futuro dos planos.
 
Para te escrever:
Espero a criação de um novo dialeto 
em que as palavras sejam como pensamentos 
como sentimentos, 
que sejam só
sensações. 

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