Ceglie Messapica

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Ceglie Messapica. Até algum tempo jamais ouvira falar nesta cidade da Puglia, Itália. É uma comuna da Província de Brindisi, tem cerca de 21 mil habitantes, vizinha de Martina Franca, Ostuni, Locorotondo e Fasano. Cheguei a Ceglie num 13 de junho, dia em que lá também se comemora Santo Antônio, patrono da cidade, onde tem igreja com seu nome. A cidade estava parada, era hora da sesta, quando todos os poucos habitantes desaparecem das ruas e só ficam meia dúzia de turistas andando de lá para cá, esperando lojas e locais turísticos novamente se abrirem, o que vai acontecer por volta das cinco da tarde. A pracinha principal estava enfeitada com flores e armações de madeira com desenhos vazados de nítida influência barroca, cheias de luzinhas que, acesas, devem proporcionar um belo espetáculo noturno. Alguém pergunta, vem a resposta: sim, naquela noite haveria a missa em honra ao Santo, depois a procissão, mais tarde a distribuição dos pães e tudo terminaria com a volta do Santo à igreja e um espetáculo pirotécnico. Ceglie Messapica fica num morro, como todas as cidades medievais. Os fogos seriam vistos por todas as cidades da região. Continuei andando, achei uma porta de igreja aberta, entrei. Era a de Santo Antônio. Alguns fiéis preparavam o altar para a missa a ser realizada mais tarde. Falavam baixo, entre eles, bastante reverentes. Flores brancas, entremeadas com cestas enormes de vime, com pães e trigo para acabamento. O contraste dos elementos da decoração, o vermelho, o dourado, o trigo, a beleza dos pães, a reverência dos fiéis decoradores, me emocionaram. Sentei-me quietinha numa ponta de um banco, acho que estava até rezando, quando se aproximou de mim uma senhora e me perguntou de onde eu era, porque evidentemente não era do local. Disse que era brasileira e estava encantada com o que estava tendo o privilégio de ver. Ela fez-me um sinal de espera, saiu pelo corredor, entrou por uma porta lateral, que não havia percebido existir. Instantes depois voltou com dois pãezinhos redondos, em tudo semelhante ao pão italiano redondo como o conhecemos porém de casca mais mole. Entregou-me ambos, sorrindo disse que estavam bentos, que era para eu levar comigo. Aquele pedacinho da Itália está guardado, perpetua e é o ícone da lembrança daquele momento de religiosidade e paz.
  

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