Orgulho de uma mãe

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Quando sua filha recebeu o diploma universitário, Maria do Carmo encheu-se de júbilo e de orgulho, pois a despeito dela ter sido, sempre, uma menina centrada e estudiosa, o seu mérito era grande. Fora uma vencedora nos embates adversos de sua vida. Agora, naquele suntuoso salão iluminado, os convidados, compenetrados, olhando à frente para uma mesa enorme, coberta de flores, enquanto as formandas, perfiladas atrás, aguardavam as chamadas, Maria do Carmo reviu o nascimento dela, sozinha com sua mãe, naquela humilde casa, da zona rural, onde moravam. Assediada e iludida por um primo distante que as visitara, somente percebera a gravidez quando sua mãe a alertou sobre as mudanças que ocorriam em seu corpo. A partir daí, ela tornou-se responsável, sozinha, por aquela criança, como costuma acontecer com inúmeras mulheres, vítimas do modelo machista de nossa sociedade.

Perdendo a mãe, mudou-se para a cidade e o único emprego que o mercado lhe ofereceu foi como arrumadeira em uma casa particular, onde teria um minúsculo quartinho para ela e sua filhinha. Sofreu todos os dissabores da subalterna profissão, mas, mesmo com as restrições que a vida lhe impunha, seguiu em frente. Surgiram vários interessados em manter um relacionamento com ela, mas nenhum deles quis assumir sua filha e ajudá-la com os gastos de seu sustento. Recusou-os todos e direcionava suas forças só para ela. Como foram difíceis seus dias de trabalho extra, quando seu corpo esmorecido pedia um sono reparador! Lutou e conseguiu empregos melhores, trabalhou arduamente e pode alugar uma casinha para elas. A menina cresceu saudável e faceira. Era afetuosa e organizada, só lhe trazia alegrias.

As emoções, desta noite de formatura, compensavam os esforços feitos por Maria do Carmo e o diploma abria para sua filha a possibilidade de uma vida mais amena, com perspectiva de escolhas mais humanas e gratificantes.

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