A força da semente

Por: Ligia Freitas

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Era minha primeira vez naquela reunião. Um grupo unido para desbravar os desafios da educação. Um grupo de esteio, cujo nome feminino enaltece a sensibilidade humana. Assim eu vi o “Mulheres do Brasil”.
 
Cheguei com um olhar acanhado, e o saber deixei de lado, diante daquelas vozes abençoadas de ternura e devoção.
 
Não avistei muitas mulheres, mas como num passe de mágica elas foram se multiplicando, feito um lindo bordado, em que o coser delicado se transforma em obra de arte de primeira geração.
 
Senti Tom Jobim em meu ser, ao vivenciar a genuína luz dos olhos seus com a luz dos olhos meus, o resultado de um entrelaçar da raiz ao coração.
 
E não poderia ser diferente quando se unem as mulheres. É a maternidade solidificada em seu âmago, multifacetada, um caminho aberto à sororidade. 
 
Talvez as mulheres não saibam da força que possuem fora de seus lares. Naquele dia eu percebi a enorme distância do sentar no sofá de casa ao sentar ali de mãos dadas. 
 
Talvez as mulheres não saibam que a nossa força também vem do ventre, daquelas antigas tribos, do lutar pela nossa causa.
 
Nós mulheres somos sementes, verdejamos para florescer e acreditamos em algo maior para sobreviver.
 
Jamais imaginei conhecer uma comunidade por meio de testemunhos incansáveis, mas foi assim que conheci Paraisópolis, sem sair do lugar.
 
Também conheci Toro, Galeano, Freire, que se revezavam nas mulheres a cada gesto de humanidade.
 
Sentadas em círculo, lembrei-me dos ensinamentos indígenas, de que os ciclos da vida se renascem a cada passagem.
 
Saí de lá com uma certeza, que guardo a sete chaves, contra a dureza dos meus nãos.
 
Acreditemos na força da semente, que os bons tempos virão.

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