Tempo de sabedoria

Por: Ligia Freitas

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Sou do tempo
Em que uma palavra
Valia mais que um documento,
Em que um aperto de mão
Fechava um negócio ao vento.
Em que o correio emoções carregava
Em que o dinheiro era vivo e silenciava.
 
Sou do tempo
Em que a crise era não ter voz na viola, 
Era não ter serventia pelo mundo afora,
Em que o automóvel não tinha movimento,
Em que da inércia não nascia um intento. 
 
Sou do tempo do bom dia,
Dos braços presos,
Das pernas vazias,
Da espera na janela,
Da TV em branco e preto,
Da sorte grande, do amuleto. 
 
Mas hoje os ventos são outros,
E eu não uso mais cabelos no rosto.
As batidas do relógio soam alto dentro de mim,
Arranco os seus ponteiros
E arremesso-os em meu jardim.
 
No fim da vida
A um jovem prometi um conselho.
Um pingo no oceano 
É como um ser humano na terra
Se a água abunda afunda
Se o homem corre escorrega
 
Cabeça oca não comanda o destino. 
Viver é ter a proeza de ser feliz sozinho.
Uma ave que cuida do próprio ninho
Provoca uma revoada de passarinho.
 
É que a felicidade se encontra no cantinho da sala, 
Nos olhos que enxergam a beleza da vida,
Nos lábios que sorriem enquanto o corpo falha.
 
É que a amizade acontece em segundos de bondade,
Na cicatriz da alma ferida,
No receber do outro o dom da divindade.
 
É que a natureza tem sentido,
Os pés descalços tocam melhor sobre os trilhos.
Idealizar pessoas não é um bom motivo,
Deixemos a perfeição para as rosas,
Fiquemos com o cheiro nas mãos em troca.
 
É que a vida é brisa, é serpentina,
É carnaval de quarta-feira, é poesia.
É que a vida se apresenta mais amiga,
O que ela quer de ti não se avista.
Sinta!

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