Para quando a felicidade chegar...

Por: Angela Gasparetto

383683

Ela ainda mantém os olhos abertos para quando a felicidade chegar.

E para isso, ela pinta os lábios e decora a alma.
 
Caminha pela casa levando em suas costas frágeis, os ventos soturnos das manhãs de outono; ouve os passos cadenciados no assoalho da casa antiga e espalha flores nos recantos mais sombrios, de modo a iluminar a sua vida.
 
Para este momento que vai chegar, ela tenta descortinar seus medos, assegurar sua fé e cuidar da saúde, de modo a esbanjá-la como criatura pagã, insana e ébria, logo que esta felicidade apontar no horizonte. 
 
E para quando for feliz, ela arruma a cama com os lençóis novos, muda a cortina para um modelo mais romântico e soterra no velho baú todas as roupas que já não lhe servem mais, porque hoje a silhueta é outra, assim mostra o seu espelho, este carrasco irremediável do tempo, mas conselheiro dos mais sinceros àqueles que são críveis. 
 
Pendura nas paredes todos os quadros que alimenta sua alma amordaçada, e procura espalhar os livros como tesouros escolhidos de maneira a enriquecer um ambiente, o qual não tem como prescindir desta bem-vinda magia literária.
 
Quando a felicidade bater à sua porta, irá encontrá-la inteira e pronta, apenas com os olhos levemente brilhantes, pois esta alegria não a visita há anos e não sabe como receber hóspede tão esquiva e ambígua. 
 
E possuída deste tesouro tão raro, visualizará da janela da sua vida todos os caminhos de outrora, onde o enlace do passado e o presente delineará todo o seu destino.
 
E  parada silenciosamente junto às cortinas novas, chegará a conclusão  de que o significado da vida esconde-se no prosaico singelo de todos os dias.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras