Professores

Por: Bruno Cunha

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Com certa frequência minha mãe pede que eu escreva uma crônica para os professores. Uma espécie de homenagem. E eu nunca escrevo. Nunca escrevi. Não por preguiça – atributo popular entre os jovens de hoje – ou porque não quisesse ou por má criação de filho crescido, não. Não escrevi por não me sentir à altura.

Minha tia é professora. Das boas. Daquelas que, não raro, a gente ouve por aí “Cara, sua tia é incrível! De longe a melhor professora que tive na vida”. Não digo o que penso por dois motivos, um é que sou sobrinho e tento largamente não ser parcial, o outro é que nunca fui aluno dela. Mas posso afirmar que, caso ela seja como professora metade do que é como pessoa, todo elogio é pouco. Distante.
 
Quando criança, e até hoje se preciso for, sempre que chegávamos em  casa, minha irmã ou eu, dizendo grosserias de um professor, minha mãe logo interrompia “Que coisa feia! Você gostaria que um aluno da sua tia saísse dizendo coisas horríveis dela assim?” Difícil imaginar o sujeito que tenha um dia se envolvido num imbróglio com minha tia, mas a estratégia funcionou. De uma maneira simples, minha mãe nos fazia pensar e rever nossa quase sempre injustificada revolta.
 
Ensinar é um gesto sagrado e o professor é o instrumento desse milagre diário. Tive e tenho também os meus professores especiais. O Louis, professor de inglês, ranzinza que prefere livros à gente e detesta redes sociais; a tia Hilda, a braveza em pessoa e também a melhor professora de português do fundamental, dizia aos meus pais “esse menino leva jeito pra coisa” e eu sem entender a que coisa ela falava, sorria. O professor José Alfredo, hoje reitor, discorreu com clareza e nos fez entender o mercado de capitais, no entanto, ensinou bem mais que isso. O Zé Alfredo vê cada aluno como uma extensão de si próprio, como se fôssemos todos seus filhos – nele, a palavra passa antes pelo coração e por isso a mensagem chega com mais facilidade a nós.
 
A June é a mais jovem descoberta no rol de professores incríveis a que tive o prazer de encontrar. Talvez tenha ela exercido o papel mais importante até aqui. Ela é alegria, empolgação, a desmistificação da complexidade, a simplicidade como ferramenta de ensino. A June me fez sentir algo que há muito não sentia: a euforia, o arrebatamento, um estado de fervor intenso ao perceber a expansão dos limites da consciência. Saí da sua aula com super poderes: conhecimento, regalo, iluminação. Aprender é maravilhoso.

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