Surpresas da vida

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Antônio reagia, corajosamente, à imprevista situação em que se encontrava, acometido que fora, aos cinquenta anos, de um acidente neurológico, repentino. As poucas chances de sobrevivência, postuladas pelo clínico que o atendera, não o faziam arrefecer na sua vontade de viver. Não se rebelava com o que lhe fora imposto, mantinha-se dócil e esperançoso. Sempre fora muito feliz. O amor, na sua rica e profunda natureza, era expresso no meigo olhar dele à linda e dedicada esposa. Com saúde, tinha como seu lazer preferido as pescarias. E que emoção sentia! Não se importava com a distância, pois eram frequentes suas excursões a rios piscosos, no interior do país, onde dourados e pacus pareciam tornar-se seus amigos, tal era a frequência com que mordiam suas iscas. Voltava revigorado com o tempo passado aos lado dos amigos e da natureza. Alberto acompanhara-o muitas vezes, surgindo, entre eles, uma estreita amizade. Nestes momentos difíceis, ele era de grande valia, pois vivia sozinho e tendo tempo disponível, visitava-o, todos os dias, para levar alento ao amigo e prestar pequenos favores `a família. Antônio não apresentava melhoras. Sua esposa, com a tragédia ali presente, tornara-se deprimida e angustiada. Os jovens filhos, também, deixaram-se abater ao verem o pai líder, ativo, empreendedor tornar-se um homem limitado, em estado de sofrimento. Coube a Alberto assumir os compromissos e a organização da casa. Tornou-se imprescindível para a vida deles.

O inevitável aconteceu e a esposa chorou por ele, seguindo os ditames da Bíblia. “Quando Sara morreu, Abraão, seu marido, “entrou para lamentar Sara e para chorar por ela”. (Gên. 23:1, 2) “

O tempo do luto passou, como tudo na vida, e Alberto foi se posicionando como o substituto natural de Antônio.

Tendo a viúva recebido um aviso de agência bancária, sobre um valioso seguro que seu marido deixara, foram juntos, ela e Alberto, ao banco para ela apossar-se daquele bem. Na dúvida, em que iriam investir aquele dinheiro inesperado, decidiram comprar um rancho, à beira de uma bela represa, perto da cidade onde moravam, para que Alberto pudesse pescar e eles tivessem momentos felizes e relaxantes. Era o sonho da vida dele. Um pesqueiro onde, com sua técnica e tranquilidade, pudesse obter divertidas fisgadas, quando quisesse. Além de tudo, ele preparava deliciosos peixinhos fritos, fresquinhos, pescados na hora.

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