Museu de Franca

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Tem história rica o Museu de Franca que guarda, através de suas peças, parte da história da Alta Mojiana e leva o nome de José Chiachiri, jornalista francano. O prédio em si, é curioso. Já foi Cadeia, já foi Prefeitura e já foi o Forum de Franca.  Você conhece o fordinho, do começo do século passado, que apelidamos de Ford Bigode, do tipo que aparece nos filmes antigos e nas novelas de época da Globo? Pois no Museu de Franca tem um, triscando de tão brilhante. Você conhece o tear, máquina usada para tecer colchas, toalhas e tecidos para roupas? Lá tem, como tem miniaturas de barro, artesanais, do tipo daquelas do Mestre Vitalino, do Nordeste brasileiro,famosas no mundo inteiro. Tem armas de fogo, com as quais soldados lutavam e nos defendiam nas ocasiões em que fomos ameaçados. Nada a ver com armas nucleares ou armas biológicas. Tem peças de vidro e porcelana, doadas pelas famílias de farmacêuticos numa época em que remédios eram manipulados e outras, de decoração, que devem ter sido usadas pelas famílias importantes da cidade e região. Tem fotografias, telefones de manivela. Nessa era de celulares, é curiosa a expressão das crianças em contato com a parafernália antiga e a expressão surpresa, em contato com toda aquela geringonça, de funcionamento inimaginável. Dias atrás minhas netas se divertiram com uma máquina de escrever antiga, dos anos 40 do século passado. Qualquer dia desses vou lhes apresentar o ábaco. Há navalhas, pincéis de barba, tesouras instrumentos usados por antigos barbeiros da cidade, um deles, meu avó. O acervo é grande. Há pedras, urnas indígenas, placas de identificação profissional de vultos históricos francanos. Numa delas, João Marciano de Almeida,  que muito mais tarde seria nome de escola da cidade,  é apresentado como Médico, Operador e Parteiro. Tem imagens fotográficas e telas que registram e mostram o rosto de pessoas importantes da cidade. Tem máquinas de fotografar, absurdas nessa era de pixels, celulares que tiram fotos de alta resolução. Na antiga Igreja Matriz de Franca, que mais tarde seria elevada a Catedral, havia dois púlpitos de madeira totalmente esculpidos, uma obra de arte. Um deles está lá no Museu da Franca. O outro,  teria sido transformado em bar, na sede de fazenda centenária nas cercanias da cidade. Museu tem isso. Guarda a memória do local onde foi instalado, mas revela fatos que seria melhor que nunca viessem à tona. Você já foi ao Museu de Franca? Não? Então vá, antes que acabe. Você conhece o Museu José Chiachiri? Sim? Então volte lá para ver como está. As fotografias recentes falam por si mesmas.

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