Um rio de águas quentes

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Minha história com a Pousada do Rio Quente teve início no ano de 1972 quando, voltando de Brasília, onde fomos conhecer a nova e promissora capital do Brasil, com toda a sua magnitude, passamos por Morrinhos, em Goiás e adentramos pelo cerrado, em uma estrada deserta, que parecia que estávamos perdidos naquela imensidão. Somente solitários ipês amarelos nos faziam companhia em meio àquela aridez. Após alguns quilômetros, avistamos placas indicativas do hotel onde ficaríamos. Meu irmão nos esperava, entusiasmado, ansioso por nos apresentar as maravilhas do lugar.

As águas termais do Rio Quente ganharam fama mundial pela sua pureza e por serem constantemente renovadas. Brotam de suas fontes, em 18 nascentes, 5,2 milhões de litros por hora, a cerca de 37,5 graus C. Assim que descemos em direção às piscinas, por entre um bosque, intensamente verde e florido, fomos agraciados com a visão de um conjunto de 25 duchas, fortes e naturais, que ao caírem ao solo de pedras, emanavam vapores que subiam levemente, desaparecendo em direção a um céu azul e límpido. Dentro daquela natureza exuberante, fomos observando as árvores centenárias, cujos nomes estavam escritos em plaquinhas no solo. Foi, então, que conheci o imponente e monumental jequitibá e outras árvores típicas do cerrado como o jacarandá, o angelim, o jatobá, a sucupira, o pequi, o cedro, o buriti, a olho de cabra, com suas lindas sementes de coloração preta e vermelha. Seus imensos e folhosos galhos ofereciam sombra abundante e nos cobriam generosamente a nos proteger do sol. A árvore escorrega –macaco faz jus ao nome, por ser muito, muito alta, com a casca, extremamente, lisa, dificultando a subida aos seus galhos. Sobrevoando as copas destas majestosas espécimes, aves em profusão, coloridas araras, bandos de pássaros pretos e sabiás cantantes. Apaixonei-me pelo lugar e voltamos inúmeras vezes, com os filhos pequenos, maiores e adultos. Muitos da nossa família costumam, também, nos acompanhar. Vamos, às vezes, meu marido e eu para descansarmos e nos banharmos naquelas acolhedoras águas termais, sentindo a vida mais de perto.

O local acompanhou o progresso, mas comprometidos com a sustentabilidade e preservação dos recursos naturais, os responsáveis mantêm a perfeita estrutura do resort, toda programada com este fim.

Da última vez que estive lá, uma frase pintada no restaurante falou-me ao coração. Fazia homenagem à Cora Coralina, a poeta dos becos de Goiás:” Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida.”

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