pensão desespero

Por: Mirto Felipim

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a luz pálidacai sobre cabeças
silenciosas e plácidas
ao redor da mesa

diálogos mudos
metálicos barulhos
de talheres surdos
e pensamentos cegos

na Pensão Desespero
descobri o sabor
de mulheres sem tempero
e de homens sem valor

com as crianças rotas e inúteis
de sorriso amarelo-grená
descobri como são fúteis
os motivos que a vida me dá

no rústico linho das camas
dos sete quartos marcados
entendi o frenético drama
dos que se sentem riscados

em frente um luminoso
chama o rebanho do bem
o anúncio mentiroso
promete o éden no além

do lado oposto da rua
é a Pensão Desespero
onde a vida resiste nua
e a morte não faz segredo

seres ali perambulam
como fantasmas indigentes
entre paredes que circulam
a cela de suas mentes.

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