Quase Natal

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Em 1582, promulgado pelo papa Gregório VIII, foi instituído o Calendário Gregoriano que passou a ser o calendário oficial entre os povos que à época encontravam-se sob a influência direta da Igreja Católica. O 25 de Dezembro, neste calendário, depois de estudos, conjeturas, cálculos matemáticos, foi definido como o dia do nascimento de Jesus. Surgiram cerimônias diferentes de celebração da data cristã, nos mais diferentes pontos daquele mundo, como era então formatado. No Brasil, só passou a ser comemorado quando a Família Real aportou e trouxe a tradição da Europa junto com outros badulaques. Tornou-se tanto sinônimo de correria, quanto corolário de angustiante período no qual magicamente nos tornamos bonzinhos, generosos, altruístas, receptivos. Mesmo arbitrariamente determinado, passou a ser o “dia do nascimento de Jesus”, comemorado com diferentes formas de festividades, a depender dos recursos disponíveis em diferentes tempos históricos e regiões cristãs do Planeta onde aconteciam. Melhor, acontecem. Em todas as formas de festividade, a tônica, universal, era dada pelo espírito de congraçamento, de renovação, de aniversário, até inventarem o Papai Noel. (Se antes só tinha Missa do Galo, ceia, reunião familiar, confraternização, agora, de acréscimo, tinha a novidade dos bens materiais.) Ele distribuía presentes às crianças, “Cristos em miniatura”. Vinha vestido com pesadas roupas vermelhas, botas pretas compridas, arminhos brancos. O aspecto lúdico do bom velhinho carinhoso e caridoso, tinha lá seu papel junto às crianças. Adulto estraga tudo: entraram na dança e também começaram a se presentear mutuamente. Nós, habitantes dos trópicos, colonizados por europeus que junto com a sífilis, a gripe e outros flagelos nos trouxeram a comemoração à européia do Natal, passamos, então, a comer castanhas, aceitar hipotética neve nas árvores natalinas e, de quebra, achar confortante olhar a figura imensa, coberta dos pés à cabeça, que só nos se torna simpática quando chegamos aí pelos quatro ou cinco anos e passamos a ligá-lo a presentes e magia. (Antes disso, não tem menininha ou menininho que não se arrebenta de tanto chorar quando dá de cara com aquelas enormes barbas, cabelos, sobrancelhas e bigodes num branco Omo total, contrastados com gorro vermelho...) Aposto! Você comprou mil presentes, vai receber em retribuição, outro monte deles. Você se arriscou entrando em lojas abarrotadas; fez lista e ainda esqueceu alguém; ficou ansioso com a expectativa de cumprir suas obrigações; preparou surpresas, fez parte de lista de amigos secretos; ainda vai ganhar (e dar!) um monte de coisas desnecessárias e inúteis. Pergunto-lhe. Parou para pensar no Aniversariante? Parou para lembrar do significado da presença Dele nas nossas vidas? Lembrou-se de dar-se o presente de amar ao próximo como a si mesmo? Fez o firme propósito de mudar-se internamente para ser mais feliz e fazer a felicidade alheia? Vai fazer força para perdoar alguma falha – sua ou dos outros? Tem intenção de homenagear o Aniversariante espalhando amor através das suas atitudes? Legal! Esse é o espírito verdadeiramente natalino. Se você fizer tudo isso todos os dias, todos eles poderão ser igualmente, Natal...

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