Marias

Por: Maria Rita Liporoni Toledo

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Em um lugar, desprovido de qualquer recurso material, mas com uma natureza fecunda, ao pé de uma grande montanha, próximo a um extenso cafezal, cuidado pelo lavrador Antônio, morava Maria das Graças, sua mulher. Águas cristalinas desciam em abundância pelas vertentes da serra e várzeas e veredas, viçosamente, verdes abrigavam seus habitantes naturais. Quando o sol escondia-se, os piados dos pássaros noturnos anunciavam o recolhimento.

Ao chegar o primeiro filho, Antônio ajudou a mulher, apesar da falta de experiência. Amparou a criança e cortou-lhe o cordão umbilical com uma tesoura, previamente assepsiada no fogo. O filho cresceu forte e saudável. Com os próximos foi ficando cada vez mais fácil.

Maria das Graças teve dez filhos, no mesmo lugar, tendo ao lado o marido. Menos no sétimo, pois quando Antônio recebia um amigo compadre na sala, ouviu o choro do bebê, vindo do quarto ao lado...

Uma mulher abençoada. Nunca foi a um médico, nem tomou medicamentos, não perdeu nenhum filho e todos estão bem, morando, agora, na cidade.

Esta história que ouvi remeteu-me à venerada figura de Maria de Nazaré que, também, deu à luz a um Filho em condições precárias, com ajuda de seu marido, José. Com este gesto de amor, Maria ofertou-nos a Luz para nos orientarmos em travessias complexas, como as que a vida em sociedade nos impõe. As palavras de amor de seu Filho ressoam em nossas mentes há mais de dois mil anos!

Com este exemplo santo, a maternidade foi alçada ao grau do sagrado.

Ave, ó Marias!

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