Caminhos

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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(Para Iriçanga Marques)


O Córrego das Pedras brota lá no alto, pertinho do topo da Serra Saudade. Surge raquítico, entre pedras e moitas. Burila, lavra e lavra pedras. Nesse labor, percorre caminhos tortuosos morro abaixo. Depois, desliza vagaroso pela fralda da serra, lavando roupas, utensílios, alimentando plantas, bichos e homens. Desavisadamente, despenca de altura colossal. Ao atingir o solo, continua sua faina de limar e tornear pedras. Então caminha pela campina, observando a paisagem: árvores solitárias em meio ao capim gordura, ao capim Jaraguá. Um pouco adiante, cochila em remansos. Revigorado, caminha sereno e resoluto.

E o Córrego das Pedras se entrega ao colo do Rio Grande.

O Córrego das Pedras é-me, sempre, rio caudaloso que corre dentro de mim - rio de memórias que me conduz.

Este rio fantástico também nasce lá no alto, pertinho do topo da Serra Saudade, por entre pedras e moitas. Também lima e alisa pedras e ainda vasculha todos os cantos e recantos da minha saudosa serra natal. Depois, toma impulso e salta cachoeira abaixo, abraça cada uma e todas as pedras – companheiras de infância. Envereda pela pradaria. Cochila um instante no último remanso.

Então avança.

É nessa hora que todo o meu ser, serena e calmamente, aninha-se no real aconchego.

Integro-me ao grande Rio da Paz.

 


 

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