Máquina do Tempo

Por:

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Dione Castro

Tentamos racionalizar tudo, isso inclui adivinhar futuro, preocupar-se com o passado, controlar o que se passa na cabeça das pessoas e tudo mais. Na verdade, tudo isso turva nossa percepção com o momento, costumo brincar que esse negócio de entrar na “máquina do tempo racional” nos enlouquecerá.

Toda vez que lançamos nossa mente para o futuro na tentativa de adivinhar e controlar algo através do “planejamento”, ou ao passado na intenção de refletir sobre algum fato - como se fosse possível modificar algo - gastamos uma enorme energia sem haver nenhum ganho. Isso nos distancia cada vez mais do presente acarretando um verdadeiro ônus, melhor dizendo, a perda de percepção do ambiente propriamente dito.

Ora, não consigo adivinhar o futuro, tampouco modificar o passado, então porque fico tanto tempo perambulando neles? Pergunto e eu mesmo respondo através de minha subvocalização: Para sofrer, só pode. Enquanto isso, os ponteiros não param, ficamos velhos, não aproveitamos, não amamos, pouco nos apaixonamos, trabalhamos muito, as pessoas morrem, os filhos crescem e não conseguimos compreender o motivo pelo qual o tempo passou tão rápido. O ciclo, etapa, fase, horas, meses, minutos, momento, prazo, século, segundos não passaram tão rápidos, pode ser que nós não saímos da “máquina do tempo”.

Valorize o momento. Tome consciência do agora através de um simples olhar para os detalhes. Quando for a algum lugar, observe o caminho e procure flores ou pássaros. É incrível, sempre há alguma flor ou planta qualquer no caminho do meu trabalho. Deve ser por isto que Drummond escreveu o livro “Rosa do Povo”, veja bem: Entre o peso, a dureza e a quentura do concreto ainda pode ser possível nascer uma frágil rosa. Trata-se de uma potência formidável, não tem nada de frágil.Em homenagem ao dito livro, lanço um trecho do poema “Viver não Dói”, que diz assim: “[...] A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. Assim termina dizendo “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

Que sejamos capazes de construir o caminho para o discernimento.

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