O trio mortífero

Por: Maria Luiza Salomão

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Nem bem o ano começou. Que turbulento.

Esquivo-me dos “sabe-tudo”, dos “comigo-ninguém-pode”, que plantam ignorância e colhem estupidez, colhem servidão voluntária, nem sempre consciente.

Trio da Morte: Ignorância, Estupidez, Servidão voluntária. Gente que acredita na força do dinheiro ou do Poder - no que grita alto. Conserva e replica – massifica a si e os outros.

QUEM é do Trio da Morte não liga para a dignidade dos seres. Consideram-se eleitos, acima do vegetal-mineral-animal-hominal: o prazer é a humilhação do que não é espelho. Os excluídos são números. Discordantes, dissonantes são inimigos jurados de morte.

Urge diferenciação, e não só para falar bonito. Não dá para medir forças e hierarquizar poderes ou sentires.

Há os que ignoram o que ignoram de fato, estupidificam-se. Cavam abismo de impotências. Paradoxalmente, acreditam se fortalecer, na ignorância. “não quero saber, e odeio quem sabe”.

Palavras ferem a liberdade de ser e estar no mundo. Mal ditas, revelam o pior de quem as diz: e como tem gente que se orgulha do seu pior...

Temo a algaravia que corrói a capacidade de pensar e sentir do ser humano. Temo a indiferença com que nacionalismos gritam muros e destroem abrigos de hospitalidade ao diferente, ao estrangeiro.

O que une um humano a outro é a empatia. A ponte que permite elos é a compaixão. O dissolvente de ódios e racismos e equívocos é o reconhecimento da ignorância de nosso próprio lado B, odiento e destrutivo. Começa em cada um/uma o que move a destruição e o ódio no mundão velho.

O Trio da Vida – empatia, compaixão, desejo de saber de mim e do Outro. O Trio da Morte: Ignorância, Estupidez, Servidão voluntária.

Atenção: função vital do nosso Eu, entre trios. Consciência já.

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