A crônica

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Existe opinião praticamente generalizada de que a crônica é composição menor e, obrigatoriamente, transitória.

Discordo.

Concorre para a opinião da maioria o fato de que os leitores se lembram de contos, de romances, de peças teatrais de seus autores preferidos e quase nunca se lembram de crônicas publicadas por seus favoritos.

Outro fator é a enxurrada de autores que tentam a crônica, estimulados pelo texto curto e até pela síntese das definições.

Aurélio Buarque de Holanda, em seu dicionário anota que a crônica é “texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal, e que tem como temas fatos ou ideias da atualidade, de teor artístico, político, esportivo, etc., ou simplesmente relativos à vida cotidiana”.

A clareza e simplicidade do conceito têm levado as pessoas à crença de que se trata de composição acessível a toda espécie de aventureiros que parecem fixar-se exclusivamente nos adjetivos livre e pessoal, contidos na conceituação.

Poucos buscam saber o quanto é difícil compor uma boa crônica. Que trabalho selecionar um, na multiplicidade de assuntos. Que dificuldade escapar dos transbordamentos, alcançar a síntese. Quanta agilidade para não se deixar prender nas peias do preconceito, ou nas armadilhas do dogmatismo. Quantas genuflexões na busca da isenção de ânimo, do equilíbrio. Quanto trabalho para adequada disposição das ideias. Além de tudo, ainda conseguir um mínimo de literalidade. Sei que poucas crônicas ficam para sempre marcadas no espírito do leitor. Talvez seja porque poucos textos curtos são de fato textos literários.

Pode ser também que a dificuldade e a exigência restem apenas em mim, porque sei quanto me custa compor semanalmente um texto. Talvez reste apenas em mim a frustração.

E talvez eu seja um chato. Ao final de um ano, não mais de meia dúzia de minhas composições me satisfazem plenamente.

 


 

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