Piriguete

Por: Dione Castro

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Toda segunda-feira por volta das sete da manhã, observa-se o desesperado anseio de trabalhadores para a tão esperada sexta- feira. Uma angustiante ansiedade logo no início da semana. No escritório querem tudo na hora. Todos querem expor sua importância e motivos para atendimento prioritário. Em minha relação tenho mais casos urgentes do que os ditos “normais” adequados às regras. Na mesa de café, queixas. O telefone toca a todo instante, e-mail com a caixa de entrada lotada, e as mensagens instantâneas chegando sem parar no aparelho celular. Uma loucura.

Já a quarta-feira parece ter quarenta e duas horas trabalhadas. Trata-se justamente do meio da semana. Contam-se os minutos para o fim do dia de trabalho. Não se vê a hora de chegar sexta- feira à tarde. Claro, é importante ressaltar que há vida após as dezoito horas, sobretudo na tão esperada sexta-feira. Lembrando que o “esquema” já está organizado. Às três da manhã de quinta, ainda há e-mails para responder do dia anterior.

Enfim é chegada a hora do relaxamento. Aquele exato momento em que “ninguém é de ninguém”. Na sexta-feira após as dezoito horas tem horário marcado. Chego e já a vejo do outro lado do balcão. Está um brilho só. Curvas arrasadoras, uma combinação perfeita após uma semana exaustiva trancafiado em um escritório. Odiada pelas esposas, ela vem balançando na troca de passo. Aquele belo colar, toda suada – deixa os homens de lábios mordidos.

Minha gravata levemente afrouxada, olho aquela de “noivinha” sobre a mesa. Acendo o charuto e a pego. Que delícia. Vem verão, vai verão ela deve permanecer assim, no ponto. Garçom, desculpe-me, eu sei que não estou em Salvador, mas, por favor, traga outra “piriguete” bem geladinha?

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