Língua-mãe

Por: Sônia Machiavelli

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Na história organizada pelos séculos
Que viram nascer do latim o tal romanço
Foi depois se firmando  entre dois reinos
O galaico-português dos lusitanos
 
E aí os trovadores começaram
A realçar em suas rimas e langores
A língua que se ia fixando
Entre cantigas de amigo e de amores 
 
Antes porém chegaram os muçulmanos 
Em época de  lendária ocupação
Com palavras como  álcool,  algoritmo 
E outras sem o -al, como limão
 
Muito tempo depois de tudo isso
Brilhou Camões em toda pompa e toda glória 
Para elevar aos patamares mais sublimes
A língua que se impôs como vitória
 
Ela aportou na nova terra descoberta
Com a vinda de ousados navegantes
Entre nativos e escravos conviveu
Acolhendo até mesmo os dissonantes 
 
Vinha das matas o cheiro bom do manacá
Entre  doçuras  reinavam  sapotis
Mas na senzala os tambores protestavam
Contra a chibata e a dieta do fubá 
 
Não foi  fácil  o triunfo do idioma 
O nheengatu, língua geral, era uma arte
Mistura  estranha de sons muito diversos
Por cem anos o falavam em toda parte
 
Até que  um dia dom José o proibiu  
A  linguagem do nhenhem enfraqueceu
E as vilas e as escolas do Brasil
Abraçaram de vez o  português. 
 
Bem mais tarde aportaram os imigrantes
Temperando com seu  sal o idioma
Realçando o que dizia nosso Rosa:
“Língua e vida parecem a mesma coisa!”
 
História  de  falares  diferentes
Onde léxicos estranhos se mesclaram
O português do Brasil é um exemplo
Do diverso incluído e incorporado

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