As gatas do Valdes

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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São inúmeras as motivações que impulsionam o ato de escrever: o desabafo, a satisfação pessoal, a necessidade do aplauso, a colheita de distintas reações do leitor. Esta me realiza sempre, mesmo quando homenagem ou uma brincadeira é mal compreendida, alguém se sente machucado.

Assim, venho armazenando cada semana tesouros de idéias, de comentários - emocionantes uns, alegres outros.

Certa vez, por exemplo, sorri emocionado.

Rapaz humilde interrompe meus passos, confessa ser leitor sistemático de minha coluna no Caderno de Domingo, comenta duas ou três crônicas.

- Achei bom você falar da Feira do Escritor e do livro do Valdes. Fiquei doidinho pra ler... Eu sou doidinho pra saber as gatas dos outros...

Somente uns dois quarteirões adiante atinei com o significado daquele “gatas”. Comecei então a rir e a refletir.

O brasileiro é deveras impressionante. Pegou a gaffe francesa e não se interessou pela tradução gafe, preferindo a mancada e a rata. E meu leitor, possivelmente por associação maluca, chegou à gata para expressar “ação e/ou palavras impensadas, indiscretas, desastradas; mancada.”, conforme define o Dicionário Aurélio.

Para a graça ser maior só falta agora a Maria Aparecida, esposa do Valdes Rodrigues, ler apenas o título deste texto e lhe descer o pau de macarrão na testa.

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