Medina, Fez. Marrocos

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Em Fez, cidade do Marrocos, na África, a atração maior é a Medina. Custei para entender o que é a Medina, saí de lá com vaga idéia. Numa das paredes vi escrito na pedra, com cinzel, imagino, 1293. Talvez algum viajante do deserto tenha escrito a data, talvez um gaiato qualquer gravou ali a data justamente para confundir turista. Tudo naquele espaço é possível. A Medina está cercada por muralha alta, de pedra, tem 1500 entradas e mais de 9000 ruelas, becos, ruas muito estreitas, pode escolher como chamá-las entre esses três nomes... Era a cidade, mas outra cidade cresceu à sua volta e levou o nome. O entorno hoje é conhecido por Fez e a Medina é o local onde a vida acontecia e acontece. Tem lojas, fábricas de tecido, artesãos que trabalham com cobre, prata, ferro, nos cubículos que, construídos um ao lado do outro, formam, para surpresa do turista, uma pracinha. Tem sempre uma árvore, como centro do espaço e muitos, muitos gatos, e muitas, muitas galinhas... Tem hotéis e restaurantes de luxo, escolas, universidades, mesquitas, lojas de jóias, tecidos e falsificações grosseiras. Muito artigo de couro E tendas de comida... De repente, embora sejam ainda quatro horas da tarde, ouve-se um galo cantar. De repente, aquele típico canto muçulmano ecoa de algum minarete próximo, convida os fiéis para a oração, homens e mulheres desabaladamente largam o que estão fazendo e saem procurando a mesquita mais próxima. Os homens tiram os sapatos, lavam os pés e desaparecem no espaço imenso que é a sala onde se alinham um ao lado do outro, ajoelham, ora colocam a testa no chão, ora levantam as mãos para o céu. Fecham os olhos, respondem às palavras do guia espiritual. Nas laterais da sala, as mulheres com as cabeças cobertas, acompanham o mesmo ritual. Nenhuma criança chora, nenhuma brinca, a maioria também reza. Nunca vi nada mais impressionante. É fundamental pedir o acompanhamento de um guia local. Nem o Goggle Maps pode sugerir como escapar de lá e é possível se perder naqueles becos que, de repente, são entupidos por carroças, ou motos, ou animais, ou mesmo por gente, um monte de gente. O que mais se ouve são os comerciantes e turistas negociando. Cem, o preço. Dou trinta. Jamais! Oitenta?Nunca! Não pago mais que trinta e cinco! Setenta! Embrulha o objeto, põe na mão do turista que já tirou duas notas de vinte e uma de dez do dinheiro local, e deixa na mão do comerciante. Vai embora com o troféu, sem perceber o ar vitorioso do vendedor. O produto não valia mais que cinquenta, mesmo...
 

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