Um sonho de educadora

Por: Thereza Rici

398475

Uma tarde dessas encontrei-me com minha antiga colega de profissão. Conversa vai conversa vem, minha amiga mostrou-se muito preocupada com o andamento da nossa educação. Falou-me que apesar de tantos anos aposentada, acompanha com interesse o que acontece em nossas escolas. Disse-me que procura ser sempre bem informada e tem ficado estarrecida com os pronunciamentos de alguns ministros da educação, que não são especialistas na área, o que é necessário, sem contar o que vemos acontecer nas salas de aulas, onde hoje não há respeito, disciplina e muitas vezes até violência contra o professor. Reclama, ainda, de que a cada mudança de governo, a nossa educação piora, haja vista o que acontece nesse momento, quando o atual ministro fala em reduzir o financiamento para programas acadêmicos em sociologia e filosofia, áreas importantes para o conhecimento humano, dizendo serem eles pouco rentáveis, lembrando que o brasileiro tem de aprender a ler, escrever e contar. O que nem isso está acontecendo.

Sem me dar tempo para questioná-la, lamentou profundamente o descaso como é tratada a educação e seus professores, quando o que mais urge nesse momento para o país, é a educação de seu povo; e num fôlego só, foi falando que ela pertenceu a uma geração que trabalhou e conheceu o lado nobre da escola e se sente feliz, pois quando lecionava, o educador era muito respeitado, tinha nome na cidade, frequentava rodas elegantes, vestia-se com esmero e era culto. Na sala de aula tinha autonomia, era seguro na matéria que ensinava, falava com firmeza, exigia disciplina e o aluno saía sabendo o necessário para tocar sua vida. O ensino tinha qualidade.

Tomei-lhe a palavra e disse-lhe que ela havia envolvido na sua mágoa vários governos depois de sua aposentadoria e precisava entender que o mundo mudou, a sociedade e a educação dos pais para com seu filhos mudaram, hoje estamos na era da tecnologia, da internet, do celular e que todas as profissões estão desvalorizadas

Ela continuou dizendo que a cada mudança de governo, promessas são feitas e nada acontece. Disse-me que queria ter fôlego para gritar em altos brados, para que o ministro da educação e seus auxiliares ouvissem que está nas mãos do professor mudar este país, para que o jovem, futuro desta nação, goze do saber e possa ser feliz.

Disse-me:” pense nisso”. Despediu-se e fiquei pensando no seu lindo sonho de educadora e na triste realidade em que vivemos.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras