Aurora de Trapiá

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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Ohomem genial permanece homem.

José Veríssimo, Sílvio Romero, Álvaro Lins, Mário de Andrade, Antônio Cândido, Nélson Werneck Sodré são testemunhos de que a genialidade não impede cochilos, não isenta de erros de julgamento, mesmo que raros.

O tempo, por isso, é o único crítico que não falha. Prova-o o fato de Lima Barreto rejuvenescer cada dia, enquanto outros se enevoam; o fato de Antero de Quental passear altas madrugadas por vielas de Brasil e Portugal, enquanto Castilho dorme, dorme... Augusto dos Anjos, cada vez mais longe de Pau d’Arco, mais frequenta universidades e escolas, mentes e corações.

O tempo é professor. É sábio, por isso justo.

E é ele que injeta, permanentemente, seiva nas páginas deste Trapíá que cresce desde l96l. Meio século de vida e o livro de Caio continua menino com vigor tal que conhecerá, por certo, os tempos futuros.

Enquanto é sempre aurora para Trapiá, o ocaso tem chegado para tantos contistas que já queimaram a mídia com seu sol de meio dia e projetaram sombras sobre Caio Porfírio Carneiro.

Será que existe explicação para isso?

Existe, sim.

Sem genialidade qualquer e sem penetrar os critérios do tempo, arrisco dizer que, dentre eles, importa pouco o local escolhido para ambientação. Importa, isto sim, a matéria-prima selecionada e a forma como é recolhida. E a matéria de Trapiá é o ser humano- o homem criança, o homem velho, o homem pobre, o homem rico, o homem político, o homem alienado - o homem desnudado sob os mais diferentes prismas com que nos deparamos em cada conto.

Tudo isso, numa linguagem que atinge o universal, haja vista que pura e simplesmente literária.

 

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