Os Velhinhos

Por: Sônia Machiavelli

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As manhãs são claras por aqui 
Como ocorre em  todo outono
O ar é fresco e filtra a luz
O  céu exibe alegre o seu anil.
Nel blu, dipinto di blu
bradaria outrora minha voz juvenil
que hoje apenas  acalanta
 a criança que resiste em mim.
 
 
No trajeto de todos os dias,
entre sol, brisa, azuis e pessoas,
vejo  velhinhos imóveis nas calçadas.
Banho e café tomados- é evidente,
tenho certeza que se me aproximar, 
vou lhes sentir um perfume persistente:
- como o das  roseiras  que  suportam o clima
e florescem nessa época altaneiras.
 
 
Os velhinhos costumam responder ao meu aceno
e me cumprimentam com serenidade.
Uns  se sentam  em cadeiras de madeira,
outros naquelas a que chamam “de rodas”,
alguns se ajeitam  com muletas ou andadores,
mas nenhum tem companhia humana ao lado.
Quem os pôs ali, depois virá buscá-los- adivinho. 
E  essa  solidão  temporária me incomoda
 
 
Os raios solares que  aquecem mãos e  pés
também desvelam cabelos ralos
e iluminam  faces enrugadas
onde não pairam mais sorrisos
- nem no olhar, nem nos lábios.
No silêncio onde parecem imersos
em que pensam os velhinhos?
- me pergunto ensimesmada.
 
 
Talvez  apenas  no correr das horas
ou no inverno já batendo à porta.
Por enquanto há um resto de calor,
azul no céu, luz alargada  
e rosas- é o que importa!
A manhã é bela e calma
Traz consigo a quietude apropriada 
para  resgatar  estações  passadas.

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