Um bom livro

Por: Zelita Verzola

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Não sou crítica literária, mas gosto de ler. Isso, somado aos fatos de ter lecionado português por muitos anos e também escrever, muitas vezes me expõe à pergunta: “ Você considera tal livro bom?”

               Em se tratando de literatura, considero bons os livros que equilibram conteúdo e forma. Não gosto de obras que priorizam experimentalismos com a linguagem, por exemplo. Autores há que inovam bastante, mas com conteúdo que marca tanto quanto a nova apresentação da linguagem. Apenas para citar dois expoentes: Guimarães Rosa e José Saramago.

Se, ao contrário, o grande enfoque é o conteúdo, dificilmente teremos uma obra literária.

Há escritos que nos encantam pela maneira com que apresentam conteúdos, os quais permanecerão em nossa memória pelo valor em si, mas possivelmente muito também pela forma acrisolada.

Assim é SAGRADO VAZIO, de Jane Mahalem, lançado neste maio próximo passado, pela Ribeirão Gráfica e Editora.

O volume apresenta textos que navegam entre o ensaio e a crônica com uma fluidez bastante rara. Estão divididos em oito grupos que lembram ramalhetes, enfeixados por belas e reflexivas epígrafes.

Muito do que eu diria sobre o livro foi dito por Sonia Machiavelli no prefácio, a começar pelo título do mesmo: Jornada Essencial. Duas palavras que resumem o que Jane resumiu em inequívocas outras palavras: sua jornada humano-espiritual até o presente momento. Disse-nos ela, em reuniões de apresentação, que quis assim registrar para deixar algo de si para suas netas. E, como que confirmando a veracidade de tão linda atitude, dedica o livro às três meninas.

Além de vasto conhecimento da língua portuguesa e seus escritores, JM demonstra coragem e compaixão suficientes ao falar de si e do outro. Este sempre abordado com muita delicadeza, como o fazem as pessoas não apenas literatas, mas que também são seres de grande alma e largo coração.

Dadá Arruda, em trecho de apresentação, diz que a autora é alguém que sempre quer aprender mais. Isso é humildade. E é também joia preciosa, como SAGRADO VAZIO, transbordamento desse jeito único de ser e escrever.

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