A ilusão da permanência

Por: Zelita Verzola

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Jovem, bonita, rica, bem casada, mãe de um lindo garotinho. Colocou o carrinho do bebê na entrada da farmácia de modo que dificultava a passagem de quem entrava ou saía. As pessoas porém iam se esgueirando, sob o olhar incomodado do atendente. A moça displicentemente mexia no celular. Até que chegou uma mulher apoiada em um andador e tentava entrar. A moça tirou os olhos do celular, mas não tirou o carrinho do lugar. Ficou assistindo à dificuldade da outra sem demonstrar um mínimo de empatia. Talvez se pudesse mesmo perceber uma dose de sarcasmo. O atendente resolveu intervir. Pediu para a suposta dona do mundo afastar o carrinho e ajudou a senhora. Fico pensando no pouco que se pensa sobre a impermanência. Tudo passa. Juventude também. E tudo mais. Até nossa breve jornada por esta vida.
 

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