Infinita

Por: Janaina Leão

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Ametafísica da minha escrita funciona assim: quebro a cabeça pensando em algo para escrever – quando tenho que manter a periodicidade, nada sai de mim... Mas quando algo me toca, escrevo na velocidade do pensamento! E sai de minhas mãos verdadeira verborragia caligrafada. Também sou fotógrafa. Nunca fiz curso, mas quando comprei a primeira máquina – que não era a “top” –e a que meu bolso podia pagar, aprendi sozinha. Li o manual de instruções e comecei a tirar fotos no modo “automático”. Ganhei concursos assim até aprender com amigos e colegas de profissão a fazer fotos manualmente: quanta vida ganhei! A máquina escrevia por mim, tudo que eu sentia estava ali, escancarado. Era só regular a máquina e “páh”! Sentar o dedo no obturador!

 Confesso que a máquina calou meus textos por muitos anos pois satisfazia totalmente minha necessidade de me expressar, de me comunicar com o mundo e as pessoas...Estava sem ideia e decidi editar umas fotos que tirei numa viagem ao Guarujá. Fui de moto sozinha, saí de Franca cedinho e usei um GPS a primeira vez na vida! Levei 12 horas até a praia da Enseada – Natureza exuberante! Sou dessas que agradece por tudo, até pelos problemas: eles me fazem crescer, sabe...Reverenciei o mar, agradeci a Ogum – dono das estradas, agradeci a Iemanjá por ter seu nome, e a Iansã- dona do meu orí (cabeça) – pela força que tenho.

Essa força não é bruta, e foi isso que inspirou a crônica de hoje: a força da resiliência: na Física existe uma teoria que fala sobre a capacidade de um elástico esticar sem arrebentar – isso é a resiliência dele. Não me auto declaro resiliente, porque não sou pretensiosa, mas ouço isso da minha Mestra (Um abraço, dona Gau), ouço de amigos que entendem do assunto e acompanham minhas lutas há muitos anos. Então, editando as fotos comecei a chorar – de gratidão.

A foto que vejo é a de um homem de bicicleta entre o mar e o sol que está nascendo. Fui cedo à praia, às 5:40, a ver o sol nascer com minha máquina/caneta; descrever o nascer do sol daquele lugar. Esperei uns cinco minutos até esse homem passar no local que eu queria clica-lo. Em fotografia um segundo é muita coisa! Meio segundo é a nossa vida... E a crônica de hoje vai para celebrar as formas de resiliências artísticas, e a minha capacidade de renascer em um milésimo de segundo, porque minha inspiração está aqui, dentro de mim, e não tem fim.
 

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