Que porra é essa?

Por: Ligia Freitas

400624

Não sou recatada, nem pudica, mas confesso que ando intrigada com a quantidade de palavrão que tenho lido nas redes sociais.

E nesse balaio não estão apenas os gatos, mas também escritores e jornalistas de alto quilate.

Então fico me perguntando: que PORRA é essa?

Seria a possibilidade de escrever uma palavra com caneta fosforescente?

Ou seria um apito de fim de jogo, um prato quebrado no chão, uma água gelada no rosto, o desenroscar a tampa de um refrigerante com pressão?

Pode até soar estranho o palavrão, mas talvez este seja o cenário do cheiro entupido do ralo, que escorre e assusta o pobre canário brasileiro em depressão.

Pode soar cruel o ruído dos bichos, mas depois de tanto tempo hibernados eles acordam para fazer revolução, nem que seja das palavras.

Nem que seja da boca calada que agora se abre e se assusta ao ver o rei nu desta nação.

A vaidade humana nunca esteve tanto em alta. Lavam-se roupas sujas em praça pública, a JATO. Lavam-se anáguas das marquesas, ceroulas dos coronéis, dos duques, das altezas.

O cidadão avista tudo e coloca a boca no trombone. Pode até parecer grosseria, mas não se engane não, o palavrão é resistência, cabeça pensante, uma nação que acorda de um pesadelo-não tão distante.

Só quem viveu olho por olho, dente por dente entende o significado real de um palavrão.

Só quem mora neste país sabe o que é um grito entalado de uma sociedade que tem passado e já viu sua pátria mãe gentil afundar em berço esplendido.

Estamos todos no mesmo balaio: porcos, pérolas, cães e gatos. Queremos ser vistos, para sermos lembrados.

Chega de sermos prisioneiros de nós mesmos. Tiremos as máscaras e joguemo-las ao longe.

A luz ofusca, eu sei. Você pode chorar. Tarda, mas não falha, o amanhecer chegou. Porra!

 

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