Dona Vazia

Por: Janaina Leão

400625

Esse não era seu nome obviamente, mas era como Bárbara a invocava por dentro de seus pensamentos.

Vazia era feia de dar dó, parece até que seu corpo refletia sua alma, mas tinha à mão todos os recursos plásticos e dermatológicos que o dinheiro pudesse acessar – senhora burguesa daquelas que pagam para sair nas colunas sociais, sabem?

Ouvi dizer que pagou até aquele troféu bonito que tem. Será que é feliz, a Vazia? Porque a felicidade em si, não é vendida...vem de dentro.

Bárbara sentia pena, mas não dela e de seus filhos: Ken e Barbie; sentia pena dos garis que tinham que recolher aquele lixo todo que ela deixava espalhado na porta, sem um pingo de gentileza... e daquele cachorro velho. Vazia tinha três, mas o “idoso” ela deixava na rua horas a fio: dizia que ele sabia passear sozinho... Engraçado porque Bárbara nunca viu ela deixar as “Lulus da Pomerania” fazerem isso. São questões intrigantes, não é?

Sabe, acho que é tudo culpa do silicone, porque disso ela era cheia, vai que sobe pra cabeça!

Bárbara observava e me contava, desabafar faz muito bem...

Hoje escrevo inspirada não na Dona Vazia, mas na grande poetisa de nossa terrinha, Regina Bastianini (saudade Mestra querida), que disse em um de seus livros:


“Prece
Livrai-me Senhor
Do mar raso dos veranistas
Dos que Bebem o Mar...Sem Sede
E das lentes que aprisionam águas
Para enfeitar paredes.”

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