Subversiva, eu?

Por: Janaina Leão

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Estava aqui com minhas confabulações matinais: muitas perguntas, poucas respostas, mas uma sobressaiu:

Subversiva, eu?

Talvez insubordinável, mas perversa com os grupos onde tentei entrar, não. Poderão me chamar subversiva? Peço que utilizem outra palavra, vocês os donos dos dicionários, os doutores, ampliem sua visão de mundo...Este “s” aí é de “sobrevivente”, e o significado é bem diferente. Nunca escrevi para aparecer. Sempre foi para respirar ou agradecer. É minha forma de estar no mundo. Ou uma delas: a escritora.

Qual animal anda em bando?

O que se sente ameaçado quando está sozinho – não parece óbvio?

Não é meu caso. Tenho amizade com a solidão e apesar do medo do perigo: enfrento igual um búfalo “brabo”! Eu me garanto.

 Sou onça do mato e tento, na medida que posso ser, também autossuficiente porque depender de um bando me incomoda muitíssimo.

Na escola até tentei ser da matilha. Dizem que adolescente é grupal, né? Eu nunca fui. Na faculdade veio a constatação que essa loba aqui seria “subversiva”. É assim que me chamam os “sabedores de tudo”.

Não foi por falta de tentativas, mas as caixas que me ofereciam não me cabiam, por isso criei meu próprio continente, e nele eu caibo inteira!

Tenho grandioso legado! Tentaram me cegar diante dele, tentaram tirá-lo de mim, mas fui eu que construí e conheço cada pedra pelo nome, sobrenome e sei dos preços que paguei, por isso tudo!

Minha muralha é igual à da China, então lhes digo que são vãs suas tentativas de me atravessar e eclipsar meus pensamentos, porque somente com a visão eu a vejo até da Lua.

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