Suçuarana

Por: Ligia Freitas

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Resolvi falar dos meus sentimentos,
À moda de Clarice, a Lispector.
Tudo emaranhado, meio bagunçado,
Feito uma cabrita desajeitada, emborrachada,
Tal qual a cabeça de uma mulher.

E se de tudo é fundo e imundo,
Eu até me perco nos olhos de brejeira.
Desfaleço-me devagarinho,
De imaginar a minha falta de paciência
Com aqueles que amo.

Mas como sou um ser feminino
A minha arte é culpar-me
Das falácias da vida.
Nasço a cada dor comezinha
Que vem logo
Com o primeiro gole de café da manhã.

Sacudo meu lençol
Cheio de amores perdidos,
Um pouco bandido,
Um tanto intoxicado pelo vinho barato,
Que comprei no armazém do Sr. Nathanaã.

E antes que eu me vá,
Toda impura e vil,
Com os lábios pintados de vermelho,
Deixo aqui o meu recado,
Extorquido do passado,
Cheirado a guardado,
Mas que me levanta e me satisfaz.

A vida é uma aquarela,
Que de tão pura é bela,
Que de tantas cores assusta a gente.
Teu pincel é prosa,
Deita, ri de ti e rola,
Num estonteante silêncio eloquente.

Afrontada de Suçuarana
Rapta-o num ato varonil.
Digo que a culpa é do azul anil
E saco uma obra
Prima para te acordar.
Toma-te e andas,
Tu colores tua vida. 

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