A bênção

Por: Zelita Verzola

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Quando eu era criança havia na família do meu pai uma tradição que in-fe-liz-men-te se perdeu. Era o costume de, ao chegar ou sair da casa dos meus avós, nós, os pequenos, pedirmos bença. E eles mais os tios e tias, que eram muitos e sempre estavam por lá, iam nos respondendo: “Deus te abençoe!” Não sei até que ponto isso era um ritual consciente, mas com certeza Ele nos abençoava. A todos. O casarão na rua General Osório, no alto da Estação ainda resiste. Não estamos mais lá. Hoje é um ponto comercial. Passo sempre em frente dele e então abençoo e agradeço. Mesmo as lembranças. Dias de festa ou de dor praticamente toda a família ali estava. Nós, as crianças, sempre brincávamos; às vezes brigávamos, para logo fazermos as pazes. Uns dez minutos antes de irmos embora, ouvíamos: “Comecem a tomar bença!” Saudades muitas. Em casa, novamente pedindo bença para os pais antes de dormir. Então hoje, dia dos pais, “bença, pai!”

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