Cura

Por: Janaina Leão

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Usarei analogias pouco prováveis, mas como artesã esforçada, ao final vou costurar tudo e lhes mostrar uma história que pode ser útil.

Sempre fui ligada à religião, mesmo quando não tinha fé. Mas Janaína é sinônimo de Iemanjá e conhecer sua própria história é algo fundamental a quem busca a integridade. Busquei todos os mitos e lendas do candomblé, me encanto com os orixás, também com os pajés e as tão sagradas “rezadeiras” de minha infância.

Passei esta fase entre a Estação e a Vila Tião – e invoco minha avó Dona Odette para montar essa crônica. Lembro que ela sempre me levava às benzedeiras. Meados de 86, a base de cura de nós, os pobres, eram elas, mulheres sagradas; e nossos médicos, os farmacêuticos. Hoje vim falar de um deles.Rubens é seu nome; Rubinho, para nós, os amigos.Pode até não ter lá o diploma de “doutor”, mas como entende das medicinas! Nosso alquimista.

Eu, com uns seis anos e as ideias em cachos castanhos, entendia que quando a dona Rosa não resolvia batendo as folhas e rezando, ele sempre tinha o remédio certo. Continua sendo nosso “médico” da Estação. Tem voz de tenor, tanto que às vezes quando ligo na farmácia e ele diz alô, eu logo penso “Fígaro, Fígaro, Fígaro, Fígaro, Fígaro”!!!! (risos). Mas o que chama mais a atenção é o fato de que ele entra em qualquer casa e não usa luva ou álcool em gel para tocar os doentes e para cumprimentar as pessoas.

Ele está aqui tem umas duas décadas e resiste quando a maioria das benzedeiras já morreu. Rubinho conheceu minha avó e meu avô, ainda atende minha mãe e eu. Ele é memória viva da minha vida. Conheceu todos os anciãos do bairro da Estação.Fecho com uma piada que ele conta toda vez, e eu caio! E com um ditado do sábio Jung:

_ Alô, Rubinho, me fala aí o que é bom pra gripe.

_Olha, Janaina, anota . Bom pra gripe é andar descalço, tomar gelado, tomar friagem, abrir geladeira depois de tomar banho quente. Agoooooora, se você quiser algo contra a gripe eu te dou um remédio.

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”

 

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