Sonhos

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Diz-que a gente estava em baixo da árvore do pé de jabuticabeira.
Diz-que a brisa soprava fraca e constante.
Diz-que, então, o sol ardia.
E a gente conversava. 
 
Diz-que havia patos, galinhas e avisos de não pisar na grama.
Diz-que ninguém nos incomodava.
Diz-que, então a gente se olhou.
E que a gente se amou muito. 
 
Diz-que as mulheres lavavam roupas.
Diz-que as crianças riam felizes.
Diz-que os homens voltavam do serviço, cansados. 
E a gente olhava e entendia tudo.
 
Diz-que de repente o sol sumiu.
Diz-que as flores se fecharam.
Diz-que a brisa se tornou tempestade.
E a gente sentiu muito medo. 
 
Diz-que chegou um homem grande muito feio.
Diz-que as mulheres tremeram,
Diz-que homens pequenos e crianças se igualaram no medo.
E a gente se encostou para se proteger. 
 
Diz-que o monstro babava sangue.
Diz-que o monstro cuspia fogo.
Diz-que o monstro já ia atacar.
E a gente tremeu de medo.
A gente suou.
E aí,
a gente acordou.

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