Degustação Literária

Por: Maria Luiza Salomão

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Quinto ano da Degustação Literária, projeto a quatro mãos com Clemência de Andrade, que toca a Biblioteca Pública Municipal de Franca, com um livro na mão e na outra o coração.

Criamos formato gostoso, agrada um público pequeno e fiel, heterogêneo, alguns frequentadores da Biblioteca, outros a convite destes, outros estão vindo, aumentam o cordão dos que veem na Educação uma saída para o povo brasileiro.

Restaurante de almas. Alimento? Leituras: contos, poemas, crônicas, ensaios. Aprofundamento da língua portuguesa-brasileira. Na Degustação, somente a língua-mãe: de origem ibérica, africana, latina.

Todos à mesa para degustar – palavrar - sentidos e sentimentos. Na entrada e na sobremesa, boa música brasileira. Instrumentistas e cantores da terrinha. Prato principal: autor(a) escolhido(a) (história de sua vida e obra), segundo os humores e sentimentos da minha paixão leitora – segundo circunstâncias históricas e sociais do momento, ou pelos temas eternos que nos assombram: nascimento, sexualidade, casamento, filhos, morte. O inelutável da condição humana: violência e competitividade, amores, luta do Bem contra o Mal: registros de momentos vitais para nossa consciência cidadã, de viventes no Brasil continental: grande e confuso nos seus rumos.

Reconheço grandes personagens brasileiros e portugueses e africanos, índios também. Raças formadoras da nossa complexa identidade como nação linguajada.

Prazer mensal, comunhão final - chá-café-bolo; livros-brindes oferecidos por Clemência e funcionários que escolhem – com carinho – para os degustadores.

Tenho aprendido História do Brasil e Geografia, sociologia e antropologia mais do que estudei em escola, universidade, ao longo de longos estudos.

Convivência comungada intensa com cada autor, autora, em sua grandeza própria. Sua “localidade” e universalidade.

Ler onde me iniciei na reverência aos livros: a Biblioteca Pública - templo democrático para se conhecer e conhecer o mundo. Em silêncio palavrado a abrir horizontes infindos de sonhos e possibilidades de muito e bem existir.

Livros, assim, redivivos.

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