Triste, louca ou má?

Por: Janaina Leão

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Ouço diariamente:
“- Ele era muito bom pra mim, mas quando ele bebia...Teve uma vez que me trancou no quarto e pegou uma faca, o revólver e uma cinta e disse: escolhe. Eu escolhi a cinta,  né...
- Eu não entendia porque ele me tratava mal na frente de todo mundo, mas  às vezes ele era muito legal comigo , me dava chocolate, flor.
-Eu vi ele chorar uma vez, só que foi quando pediu pra voltar comigo...Eu voltei, né, eu nunca vi ele chorar... Mas ele me passou muita doença da rua.
- Uma vez um cara me trancou por 30 dias na casa dele, e me estuprou em todos...Quando fugi  e pedi ajuda, minha família fechou as portas. Disseram que eu era “putinha” desde criança...
- Lá em casa só eu trabalho, ele é “feminista” sabe? Cuida da casa e faz comida! Ele me xinga sim, foi criado desse jeito. Eu recebo e deixo o dinheiro na mão dele. Administra melhor que eu, e ele diz que não se sente bem quando eu pago a conta nos lugares...Eu deixo, né? Que besteira! (risos).
- Eu já sei certinho a hora que ele fica mais nervoso, aí eu procuro não fazer barulho em casa.
- Tenho 14 anos e meu noivo, 29. Eu não gosto de transar porque dói e tenho medo de engravidar – ele não usa camisinha -mas ele diz que vamos casar mesmo.
- Eu sei que meu marido tem outras mulheres...qual que não tem? 
- Eu não sabia como sair daquela situação, tinha muito medo de ficar sozinha...ele era ruim pra mim, mas era muito bom pra todo mundo...
- Feche as pernas e sente-se como uma MENINA!
- Mulher perdoa. Homem é herói...
- Feminista é tudo vagabunda!!! Tudo puta!
- Homem não lava pratos. “
Sabe, às vezes é difícil escutar essas coisas... É nesta  hora que eu ligo o som e boto uma música para tentar me acalmar.
“Triste louca ou má/ Será qualificada/  quem recusar/ Seguir receita tal/ A receita cultural/ Do marido, da família/ Cuida, cuida da rotina/ Só mesmo rejeita/ Bem conhecida receita/ Quem não sem dores/ Aceita que tudo deve mudar/ Ela desatinou/ Desatou nós/ Vai viver só/ Eu não me vejo na palavra/ Fêmea: Alvo de caça/ Conformada vítima/ Prefiro queimar o mapa/ Traçar de novo a estrada/Ver cores nas cinzas/ E a vida reinventar/ E o homem não me define/ Minha casa não me define/ Minha carne não me define/ Eu sou meu próprio lar”

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