Abotoando sonhos

Por: Maria Luiza Salomão

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Sonhar grande é essencial. Mas é preciso abotoar sonhos.

Está chegando o que a Secretaria de Cultura aclamou como “Festa” Literária Francana. Literatura é uma festa, mas ela irá ser encontrada nas varandas da praça, em quem tiver tino para buscar. Não é assim que encontramos a boa literatura?

É o esforço do leitor que cria o escritor, que não o deixa sozinho, na estante, que o convida a bailar em suas letras, repetidamente, até escritor/leitor coreografem singular forma de dança, que o leitor expande e interioriza. O autor ganha vida multiplicada.

Em 2018, tivemos o hoje imortal Ignacio Loyola Brandão, da Academia Brasileira de Letras, que nos fez tanto gosto!

Este ano, como tem sido, vai ter muita música. A arte do sentimento, a Música, é irmã da Literatura. Otávio Paz, poeta mexicano, define: “a experiência estética é irredutível à palavra, mas só a palavra expressa a experiência”

A música é expressão imediata. A Literatura tem a mediação da palavra: o poeta, o escritor, esculpem, “em lascas”, a rocha dura. Por vezes, o que sentimos nos parece labiríntico, enigmático, rocha dura.

Como diz uma amiga (tantas Reginas na minha vida! Rainhas do meu coração): o escritor nos ajuda no encontro conosco mesmos. A escrita revela aquilo que é, rocha dura que somos: palavras dificilmente expressam. Daí o labor do escritor/poeta.

Vamos abraçar o poeta Carlos Assunção, 92 anos, agora em filme (sábado e domingo, 17H00, Casa da Cultura). Abraçar escritores francanos, que lançam livros. Abraçar Perpétua Amorim, que vem cunhando o espaço literário, não só nesta Festa.

Para abotoar a nobre presença feminina - cunhagem histórica da literatura Francana - foram destacadas Três Damas da Literatura Francana (confiram a programação).

Abotoar – na praça, que é de todos, sonhos que foram (são) das Damas, são (serão) nossos: botões para netos e bisnetos e tataranetos e...

 

   

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