O Azul de Portinari

Por: Janaina Leão

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Sentem aí que vou contar um “causo”. Ouço muitas histórias que me marcam a memória, se é verdade ou não algum pesquisador deve dizer, mas tomei como verdade.

Dizem que Portinari conseguiu um azul inigualável em suas obras. Muitos pintores tentam imitá-lo até hoje e existem pesquisas para descobrir quais substâncias de pigmentação ele usava para atingir cor tão bela. Eu ouvi que ele misturava um pouco do próprio sangue para atingir o tom desejado.

É disso que vim falar, não do Portinari especificamente, mas de artistas que dão o sangue em suas obras. Também li que ele pintava santos com rostos de seus familiares e amigos, e fez uma capela todinha em casa pois sua avó não podia mais ir à igreja para rezar.

Gosto muito do Portinari não por conta da obra, mas por conta do jeito dele. Penso que assim como eu, era um “visceral”.

Vocês sabem que escrevo para sobreviver né? Não para pagar contas pois não recebo para isso, mas para sobreviver aos dilemas da vida, eu converso comigo através disso aqui – minha obra.

Essa história comprida vem para fazer um “link”: assim como Portinari muita gente reconhece minha obra só pela minha paleta de cores/palavras. Já tenho aí um legado, mais de 400 crônicas publicadas ou não, fui eu que pari.

Essa vem para vocês meus leitores, os que se tornaram amigos através desse jornal – um beijo Taci Guapa e Dona Maria Cristalina – aos vizinhos que compram o jornal e fazem questão de me dar um feedback.

Eu ando nas ruas meio descabelada e sempre com óculos tampando metade do rosto – é, eu sou tímida - mas as moças da barraca de pastel da feirinha da Integração me reconhecem! Hoje eu tenho até conta lá (risos). Dedico também à Márcia que não conheço pessoalmente mas fala comigo através do querido Milito – seu esposo- Essa crônica é para vocês, viu!

Tenho também leitores especiais no Banco do Brasil da Estação, onde desde o segurança ao gerente todos cuidam tão generosamente de minha mãezinha – um abraço Clarice que não é Lispector, mas também me inspira e Otaviano (não sei teu nome mas minha mãe te chama assim).

Sabe o azul do Portinari? No meu caso eu consigo o tom com um ingrediente semelhante, meu sangue são meus leitores. Sem vocês eu não estaria aqui.

Disse Jorge Luís Borges, o grande ficcionista argentino: “se o leitor não terminar o texto, malogrou o autor”

Graças a vocês tenho logrado.

Obrigada


 

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