O sonho

Por: Maria Luiza Salomão

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Da janela da alma há sonhos que nos espiam, que esperam, que dormem esperando bons ventos que os carreguem para fora, e que – como em desenhos animados – se transformem em coisas, lugares, cenários, forças invisíveis ou visíveis que materializem o que era nevoeiro, espuma, fumaça, perfume, algo etéreo, subterrâneo, aquático, fogoso que habitava a alma.

A alma se perde em meios oníricos, mas vindo do tempo do faz de conta, do era uma vez, do distante daqui, em tempos de antanho, veio este sonho de uma praça onde se encontrem gentes de cores, bandeiras diferentes que encontraram uma forma de se comunicar, de ser aldeia viva e circulante, mãos dadas sonhantes.

Eu tive este sonho – uma comunidade de autores e escritores podendo se comunicar na polis, na ágora, na praça pública, cuja escrita possa alcançar, tocar, contaminar mentes e corações.

Confesso que não quero lugar melhor que este, nem melhor companhia do quem escreve e de quem lê: há no esforço de contato, algo mais lento que o olhar, mais próximo que o aperto de mão, mais alegre do que um sorriso. Entre autor/leitor há uma cumplicidade forte – música das esferas - que gera bebês por muitas gerações.

Assim descrevo meu sonho de Patrona: hoje inicia o III Festival Literário de Franca, e agradeço aos confrades e confreiras que me indicaram para patrocinar ou “matricinar” este Festival. Que ele deixe saudades, que ele multiplique amizades, que ele cause assombros e velas para muitos navios deixarem portos seguros para paragens desconhecidas.

Que todos que estiveram na praça entre 11 e 15 de setembro levem consigo meus melhores e maiores sonhos de congraçamento. Que estejam em graça plena e em solidária vigília pelos bens maiores que carregam em si, em suas almas.

Transportem meu sonho de patrona: maiormente, pluralmente. Amém.

 

 


 

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